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Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  

Na nova era, high tech e antigo juntos

Esqueça aquelas casas que parecem cenários. Os objetos frios, brancos e muito limpos, quebrados apenaspela presença de obras de arte quadros e esculturas-, com mobiliário e eletrodomésticos que parecem ter saído das escolas nórdicas de design, como a dinamarquesa Bang & Olufsen (B&O), perderam a vez.

Na 19ª edição do Casa Cor, esse estilo clean só entra em uma das três casas (a urbana, a de campo e a de praia), acompanhado, em fusão com outros objetos, de cores e materiais mais quentes. É o fim da ditadura do branco, do preto e da prata; do limpo e do inodoro. É a vitória de Jacques Tati e seu Monsieur Hulot, 48 anos depois do lançamento do filme Meu Tio (Mon Oncle), no qual a casa-escultura, moderna e limpa é detonada com humor ferino porque, nela, não havia espaço para a emoção genuína.

Isso não significa, porém, que a tecnologia vá perder espaço na Casa Cor; ao contrário, luminárias, telas de plasma, eletrodomésticos, pisos de vidro impresso, cubas e torneiras, fruto de pesados investimentos e atualizações, estão lá. Só que, detalhe, passam a compor um ambiente mais 'in', de íntimo mesmo, e bem menos 'out', exterior com o espaço cenográfico para se ver- e frio demais para morar.

O mesmo ocorre com os mais simples elementos das cadeiras às mesas. As madeiras recicladas também ganham espaço, assim como as certificadas, porque o ecologicamente correto deixou de ser tendência e está virando regra de comércio exterior, que também vale para o mercado interno.

Um exemplo? Na sala intimada casa urbana, por pouco - se a Forma não tivesse voltado atrás em cima dahora -, uma cadeira do famoso designer Philippe Starck (12 mil,informações no site www.philippe-starck.com) ganharia vida revestida com chita ( o metro do tecido de melhor qualidade sai a R$ 7,50 nas casas da rua 25 de Março, no centro de São Paulo).

A idéia de Lídia Damy Sita, que lamenta não tê-la concretizado, não perdeu a força. "Eu corri para as flores de meia, feitas por artesãos do interior com lingerie usada, e mantive elementos culturais que criam a intimidade. Um lustre antigo italiano, de cristal (em antiquários é possível encontrar modelos similares), serve de contraponto no espaço que tem paredes revestidas co seda ( o preço do metro varia de R$ 80 a R$ 600, na Safira Sedas }.

Mas, se a cadeira de Philippe Stark não ganhou o revestimento de chita,duas de suas luminárias conquistaram lugar em ambiente da Casa Cor: o Stúdio de Construtor. O espaço projetado por Maria Amélia Shimabukuro é o melhor espelho da nova tendência. Uma parede clara com a paisagem sépia do Rio de Janeiro é o pano de fundo para a poltrona de madeira rústica de Hugo França (preço sob consulta). No ambiente o antigo ganha destaque tudo clean, mas carregado de emoção. "é um espaço para se sentir em casa, projetando a arte de viver para os outros", define Maria Amélia.

Roberto Dimbério, o homem que há 10 anos coordena o projeto casa cor, endossa."Na tendência que começa a se esboçar este ano, ninguém precisará mais esconder no porão, sítio ou garagem aquela peça pela qual se tem carinho, mas que não combinava com o novo, o moderno. Até poltronas kitsch, a forma definitivamente brega, pode ser um 'must', o máximo, na varanda que foi remodelada para ser clean e acabou ficando sem personalidade. "Entretanto, tudo, em casa ou no escritório, deve ser sem exageros, diz Dimbério, apesar de o propósito da Casa Cor, idêntico ao dos desfiles de moda, de exagerar para fixar o estilo.

Até a linha branca, que tem nas geladeiras um dos ícones, perdeu a preferência. A Multibrás, dona da Brastemp, está lançando uma geladeira colorida - e o modelo vermelho é o que chama e ajuda a compor o cenário da cozinha americana. A linha Brastemp Colors e Brastemp You, que permite ao consumidor montar a geladeira como quiser, será vendida entre R$ 2.875 a R$ 4.250, o modelo de 450 litros. Só que as cores aqui em destaque só valem para refrigeradores de 360 litros. Como a edição é limitada, o consumidor terá de esperar até 15 dias para receber o produto. Os testes de cores e montagem podem ser feitos no endereço eletrônico www.brastemp.com.br .

Cozinha americana

Dimbéro ressalta que a cozinha americana é outra tendência que ganhou espaço na Casa Cor. Tudo porque, com espaços cada vez menores, os apartamentos e lofts acabam transformando a cozinha em uma área de convivência, especialmente para famílias modernas, mas também para quem mora sozinho e encontra na cozinha um ritual de amizade.

Do piso de vidro, que a UBV fornece, tanto para o chão como para o Box, carregado de tecnologia (o impresso laminado incolor R$ 190 o m², o colorido a 370 o m² e o serigrafado a R$ 70 o m²), aos televisores que a Semp Toshiba está lançando, como o monitor de Plasma Wide 50, - 50XP37E por R$ 39.990, a Casa Cor jogou sobretudo cores derivadas do bege nas paredes (galão de 18 litros de Suvinil SelfColor, na cor palha, a R$ 169).

Valor afetivo

Uma história de cinema e prêmio ilustra bem esse atual momento da arquitetura e do design de interiores. A luminária antiga é jogada fora, na rua. Vem a chuva, pessoas passam e ela continua lá. A dona parece sentir sua falta. A cena pertence a um comercial da Ikea, que levou há dois aos, o prestigiado Grand Prix, o prêmio mais importante que foi entregue no 50° Festival Internacional de publicidade de Cannes. Mais que um comercial aplaudido, o filme trouxe à tona o valor afetivo dos objetos que compõem a decoração de uma casa.

Coisas que, mesmo sem design, mesmo fora de moda, fazem parte da vida de uma pessoa e merecem, portanto, um lugar no espaço. Na Casa Cor, fica faltando apenas o anão de jardim que Philippe Stark usou para apoiar uma mesinha...Algo tão fabuloso quanto cinematográfico. Só que mais 'in', menos 'out', como o peixe que soltava água na casa moderna de Monsieur Hulot, de Jacques Tati.

O próprio Dimbério confessa adorar os sofás em forma de nádegas e de Pão de Açúcar que adornam a varanda da casa de praia. É o brega em um ambiente que deixou de ser absolutamente clean, filtrado e refiltrado durante anos, sem deixar que esses sentimentos tivessem vez. A Casa Cor promete, para fazer jus às poltronas, aquecer o público neste inverno.

Fonte: Casa Cor


 

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